Há os poetas que escrevem Outros que escutam Aqueles que versejam E os que não poetizam só trancrevem
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Entre o Ser e o Devir
"To Be or not be, this is the question."
Shakespeare
"O ser é uma face do não ser."
Cassiano Ricardo
Quando dilema e decisão divergem,
Não há razão ou abstração
Que torne intenção em ato ou pensamento
Que torne uma paixão em necessidade
e uma identificação em prioridade
Para um caminho escolhido,
Outra bifurcação se nos afigura a frente
Para cada outro rumo trilhado,
Outras auto-estradas se apresentam dobráveis
E, mesmo que cada caminho
trilha
rumo
vereda
ou direção fosse refeito,
reavaliado,
ou redelineado,
Ou simplesmente nunca mais repensado...
Esta nossa necessidade existencialista
De se ser algo antes mesmo de existir
De existir muito antes que se conheça
De se conhecer ainda que não se seja
Nos obriga sempre a repensar no que seríamos
Caso nossa existência fosse feita
Posteriormente ao conhecimento de nós mesmo
Para, aí sim, nos reconhecermos como os mesmos
A resposta que me vem de encontro
É que o que se foi não volta a ser
o que se é já foi
o que será já é
e o que seria nunca mais será
Nem mesmo se, ao passado, se retornasse!
Por fim, o que entrevejo em meandros de claridade
É que mil e e outros frutos de um desejo
Farão a insatisfação simbiótica de que não se é
Tornar-se experiência adquirida
De uma vida virtualmente, em mente, vivida
Em uma sabedoria irreal.
E ela, apesar de não muito bem qualificada,
Ainda será solidamente baseada
Em relampejos e lacunas sensoriais
Ao mesmo tempo instrutivas e aflitivas
Mas que, no fim, serão definitivas
Efeitos de causas joviais...
Ser ou não ser, será mesmo essa a questão?!
Rio de Janeiro, 17 de março de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
ALBATROZ!

Sou pequeno
Sou pequeno
Sou pequeno em si be mol.
Vou varrendo
O sentimento
E despejando junto ao Sol.
Se estou nesse momento
Lhes dizendo: "sou pequeno,
sou pequeno
sou pequeno
sou pequeno no farol!
Em o fim
Ventando e vendo
Revelando sua voz
Nos decola, nos transporta ao firmamento
― Voa! Voa Albatroz!
Voe ao alto com coragem
Reconheça as armadilhas
Faça o bem às celestinas
Não são ela' o nosso algoz.
Peça às musas um motivo
Pra não serdes um cativo
Ser ativo com' Pedro Ivo
Na jornada dos mil nós.
Mas ao fim
Selando e sendo
Começando a ser feroz
Não tem honra o pensamento
De vingança Albatroz!
Se voarmos alto e pleno,
Vermos Ícaros e o suicídio,
Lermos Fígaro no abismo,
Sejamos sábios sendo menos... Meditemos:
Sou pequeno
Sou pequeno
So'um pequeno Albatroz.
Voo pleno
Vou sereno
Logo após a minha voz.
Niterói, 22 de abril de 2010
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
ADVENTO XXI
Como é penosa esta vida
Porque o sofrimento me convida
A bradar pra multidão?
Vão! Tomem as ruas!
Gritem em vozes nuas
--Aqui há corrupção!!!
Não temam a polícia
Ainda que a democracia
Não enxergue a razão!
Juntem-se e marchem
Eles sabem o que não fazem
Pr'um futuro pra Nação!
Resistam obstinados e destemidos
Log'os fracos e oprimidos
Saberão ter posição.
Sintam-se motivados
Pois seremos nós os culpados
Se não houver libertação!
Sim. Aqui há quem deita e dorme.
Colarinho branco é o uniforme
Do roubo e do ladrão.
Calem os pessimistas!
Tornem-nos otimistas!
Mantendo sempre o pé no chão!
Esqueçam o vandalismo
Eliminem o egoísmo
Par'o sucesso da missão!
Façam inteligentemente
Sejam pacientemente
Mas não esqueçam da ação!
Compreenda os acontecimentos
Reúnam-se em conhecimento
Para formar opinião!
Quem quiser ser algum líder,
Cuidado!!!
O poder é um grande fardo.
Pode levar à opressão!
É sempre um campo minado
Que quando bem atravessado
Obtem-se a progressão.
Desse estado deplorável
Que ainda é remediável
Se houver revolução!
E para isso acontecer,
Preciso faz-se conhecer
O princípio da questão.
Em lhes sendo mais direto.
Sem rodeios ou dialetos
Reclamo desta humilhação:
De sermos vistos como burros
Por não darmos, neles, murros
Diante desta condição.
Em sermos sócio-desiguais
Vendo que são tão canibais
E não termos reação!!!
De que se adianta ter dinheiro,
Gastá-lo todo no estrangeiro,
Por ter-se lá a permissão?
De ser rico sem perigo
De sair na rua com amigos
Sem correr d'um arrastão.
Mas o ladrão também é vítima.
Pois o mal que o intima
É a escassez de opção.
Também não há oportunidade
Pois se houvesse a igualdade,
Não haveria a violação
Por isso grito ao alto desinibido!
Sem sentir pudor ou constrangido!
Queremos já a punição!!!
Dos comandantes do Estado
Que se declaram não culpados
Pela atual corrupção!!!
Nosso povo não aguenta mais!
Só clamamos pela paz!
Pela saúde e educação!!!
É o que sonhamos,
É o por que lutamos
Pel'evolução da nossa Nação!!!
Niterói, 3 de dezembro de 2010
Porque o sofrimento me convida
A bradar pra multidão?
Vão! Tomem as ruas!
Gritem em vozes nuas
--Aqui há corrupção!!!
Não temam a polícia
Ainda que a democracia
Não enxergue a razão!
Juntem-se e marchem
Eles sabem o que não fazem
Pr'um futuro pra Nação!
Resistam obstinados e destemidos
Log'os fracos e oprimidos
Saberão ter posição.
Sintam-se motivados
Pois seremos nós os culpados
Se não houver libertação!
Sim. Aqui há quem deita e dorme.
Colarinho branco é o uniforme
Do roubo e do ladrão.
Calem os pessimistas!
Tornem-nos otimistas!
Mantendo sempre o pé no chão!
Esqueçam o vandalismo
Eliminem o egoísmo
Par'o sucesso da missão!
Façam inteligentemente
Sejam pacientemente
Mas não esqueçam da ação!
Compreenda os acontecimentos
Reúnam-se em conhecimento
Para formar opinião!
Quem quiser ser algum líder,
Cuidado!!!
O poder é um grande fardo.
Pode levar à opressão!
É sempre um campo minado
Que quando bem atravessado
Obtem-se a progressão.
Desse estado deplorável
Que ainda é remediável
Se houver revolução!
E para isso acontecer,
Preciso faz-se conhecer
O princípio da questão.
Em lhes sendo mais direto.
Sem rodeios ou dialetos
Reclamo desta humilhação:
De sermos vistos como burros
Por não darmos, neles, murros
Diante desta condição.
Em sermos sócio-desiguais
Vendo que são tão canibais
E não termos reação!!!
De que se adianta ter dinheiro,
Gastá-lo todo no estrangeiro,
Por ter-se lá a permissão?
De ser rico sem perigo
De sair na rua com amigos
Sem correr d'um arrastão.
Mas o ladrão também é vítima.
Pois o mal que o intima
É a escassez de opção.
Também não há oportunidade
Pois se houvesse a igualdade,
Não haveria a violação
Por isso grito ao alto desinibido!
Sem sentir pudor ou constrangido!
Queremos já a punição!!!
Dos comandantes do Estado
Que se declaram não culpados
Pela atual corrupção!!!
Nosso povo não aguenta mais!
Só clamamos pela paz!
Pela saúde e educação!!!
É o que sonhamos,
É o por que lutamos
Pel'evolução da nossa Nação!!!
Niterói, 3 de dezembro de 2010
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
O BICHO
"Esse bicho, meu Deus, era um homem!"Manuel Bandeira
Sentado na esquina
Pedindo comida
Bebendo uma pinga
Fumando um cigarro...
u'a bimba!
Um homem barbudo,
Fétido,
Imundo,
Sonha no 'scuro
Co' arroz e feijão
Num breve momento,
Embreagado
sedento...
Brada ao sétimo vento:
"Tenho fome Desgraça!"
Niterói, 6 de dezembro de 2009
terça-feira, 2 de agosto de 2011
AMOR PENSADO
Numa noite dessas pensei o que seria certo pra você
Se seria um abraço
um carinho
um sorriso
ou um amaço
Pensei num beijo, mas em um tom leviano...
Pensei num olhar, mas seria vazio...
Depois de duas horas em insônia e pensamentos,
Concluí que qualquer juramento
Seria impuro
Decidi, por fim, somente
E somente isso apenas:
te amar!
Te amar em um amor bom, puro e noturno
Niterói, janeiro de 2010
Se seria um abraço
um carinho
um sorriso
ou um amaço
Pensei num beijo, mas em um tom leviano...
Pensei num olhar, mas seria vazio...
Depois de duas horas em insônia e pensamentos,
Concluí que qualquer juramento
Seria impuro
Decidi, por fim, somente
E somente isso apenas:
te amar!
Te amar em um amor bom, puro e noturno
Niterói, janeiro de 2010
PEDRO
Pobre Pedro Preto À festa chegava
Co'a gata flertava
Às outras piscava
Nobre’m ser do gueto
Saindo da festa
U'a festa d'arromba
Ferido na testa
Pedaços de bomba
Ao jovem contente
Que ora sorria
Só vê a semente
Perigo corria
Pobre Pedro Preto
No baile dançava
Co'a gata flertava
Às outras piscava
Nobre’m ser do gueto
Ao fim da balada
Os homi ‘nvadiram
Na noite calada
Dois tiros partiram
Perdidas acharam
Dois vultos no beco
No beco arriaram
Mais um tiro seco
Pobre Pedro Preto
No baile dançava
A gata pegava
Às outras piscava
Nobre’m ser do gueto
Desceu as escadas
Bateu nas janelas
Estavam trancadas
Sopravam luz velas
Viela escura
Uma sombra surge
Tigela de cura
A vida que urge
Pobre Pedro preto
No baile beijava
A gata pegava
As outras cantava
Nobre’m ser do gueto
A noite 'strelada
Brilh' à luz dos sóis
Foi da metralhada
'Stendendo lençóis
Na 'scada um corpo
Na viela também
Há mortos no porto
E na 'stação de trem
Pobre Pedro preto
No baile beijava
A gata tocava
As outras cantava
Nobre’m ser do gueto
Na testa ferido
Perdido e sem rumo
Havia subido
P'ra boca de fumo
Em meio a guerra
O corpo acorda
Deitado na terra
Atado na corda
Pobre Pedro preto
As calças tirava
A gata pegava
As outras chamava
Nobre’m ser do gueto
Em um súbito 'lhar
Viu uma saída
Sem nem menos pensar
Fugiu par’a vida
No meio da reta
Uns tiros lhe deram
Nenhum lhe afeta
"Mir'olho" não eram
Pobre Pedro preto
Sua pele suava
Co'a gata transava
As outras chamava
Nobre’m ser do gueto
Desceu p'lo barraco
Sem olhar, é audaz
Com um membro manco
Vai molhar-se em paz
Na água da caixa
Limpa as feridas
No varal, s’enfaixa
Co’a roupa 'stendida
Pobre Pedro preto
Sua pele suava
Co'a gata transava
A outras passava
Nobre’m ser do gueto
Os tiros cessaram
Com o Sol nascendo
As aves voaram
P'r'os corpos morrendo
PMs se foram
Sem eles - presuntos
Uns sofrem e choram
Pelos seus defuntos
Pobre Pedro preto
A transa acabava
Co'a gata cansava
Das outras parava
Nobre’m ser do gueto
O Pedro festeiro
Foi par'o CTI
Por ser brasileiro
Morre na UTI...?
O jornal da TV
Chegou na favela
Onde passa só vê
O sangue e a vela
Pobre Pedro preto
A noite acabava
Da gata lembrava
Às outras falava
Nobre’m ser do gueto
Demorou pra sair.
Pedro sobreviveu
Só voltou a subir
Porqu'é lá que nasceu
Chegou no barraco
Um lugar sem ninguém
Sentindo-se fraco
Sem qualquer um vintém
Pobre Pedro preto
Do baile ralava
Da gata lembrava
Às outras falava
Nobre’m ser do gueto
Chegou um vizinho
Dando-lhe almoço
Entornou o vinho
Cuspind'um caroço
Tirou um cochilo
Acordou co’as palmas
Ouviu um sibilo
O "Chefe das Almas"
Pobre Pedro preto
Do baile ralava
Da gata lembrava
Das outras cansava
Nobre’m ser do gueto
O cara à frente
Falou quem 'le era
O chefe demente
O Homem de Vera
E Vera era ela
Aquela garota
Tão boa - tão bela
Que beija galiota
Pobre Pedro preto
Do baile ralava
Da gata lembrava
Às outras falava
Nobre’m ser do gueto
O corno da hora
É chefe do morro
"Que faço agora?"
"Se fico - eu morro!"
- Eu matei Vera.
- Eu não quero morrer!
- Puta ela era.
- Eu preciso correr...
Pobre Pedro preto
Do baile ralava
Da gata lembrava
Às outras falava
Nobre’m ser do gueto
Um tiro ecoou
Tiros de maldição
Logo Pedro voou
Quase nu p'lo morrão
Um outro disparo
Pedr'é acertado
Pagou muito caro
Está consumado
Pobre Pedro preto
Do baile lembrava
Por Vera rezava
P'las outras surtava
Nobre’m ser do gueto
Niterói, 13 de janeiro de 2010
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